A violência doméstica vai além do ambiente familiar e tem afetado diretamente a vida profissional de mulheres na Bahia. Dados recentes mostram avanço preocupante dos casos e revelam consequências como perda de renda, afastamento do trabalho e danos psicológicos que comprometem a rotina laboral das vítimas.
Levantamento da Polícia Civil da Bahia aponta que, entre janeiro e março de 2026, foram registrados 6.750 casos de ameaça, 3.874 de lesão corporal e 2.870 de injúria contra mulheres no estado. Também houve 86 tentativas de feminicídio e 23 feminicídios no período, números superiores ao mesmo intervalo de 2025.
Além da violência física e emocional, o impacto econômico é significativo. Muitas vítimas deixam de trabalhar por medo ou abalo psicológico, principalmente aquelas sem vínculo formal, o que agrava a vulnerabilidade financeira. Em nível nacional, o Instituto Nacional do Seguro Social registrou aumento de 313% nos afastamentos do trabalho relacionados à violência contra a mulher entre 2021 e 2025.
A legislação brasileira, com base na Lei Maria da Penha, garante o afastamento do trabalho por até seis meses com manutenção do vínculo empregatício. Decisões recentes do Supremo Tribunal Federal ampliaram esse direito também para trabalhadoras autônomas ou pessoas jurídicas, assegurando benefício pago pelo INSS durante o período.
Especialistas destacam que o trauma psicológico é um dos principais fatores para o afastamento, afetando concentração, produtividade e tomada de decisões. O ambiente de trabalho, por sua vez, pode desempenhar papel essencial na identificação de sinais de violência e no acolhimento das vítim.
Diante do aumento dos casos, autoridades reforçam a importância da denúncia e do fortalecimento das redes de apoio. Canais como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190 (Polícia Militar) são fundamentais para interromper o ciclo da violência e evitar desfechos mais graves, como o feminicídio.
Fonte: Polícia Civil da Bahia / INSS


