Conforme o IBGE, o resultado da capital baiana e região metropolitana ficou levemente abaixo da média nacional, que registrou inflação de 0,67% no período

A inflação na Região Metropolitana de Salvador desacelerou em abril, mas ainda assim registrou o maior índice para o mês nos últimos quatro anos. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país.

De acordo com o levantamento, o IPCA da Região Metropolitana de Salvador ficou em 0,64% em abril, abaixo do resultado registrado em março, quando havia alcançado 1,47%. Apesar da desaceleração, o índice foi o maior para um mês de abril desde 2022, quando tinha atingido 0,67%.

Conforme o IBGE, o resultado da capital baiana e região metropolitana ficou levemente abaixo da média nacional, que registrou inflação de 0,67% no período. Entre os 16 locais pesquisados pelo instituto, Salvador apresentou apenas o 11º maior resultado.

Segundo o órgão, a inflação foi puxada principalmente pelos grupos de alimentos e habitação, responsáveis pelas maiores pressões sobre o orçamento das famílias baianas. Os alimentos e bebidas tiveram alta de 1,01%, enquanto os custos ligados à habitação subiram 1,50%.

O IBGE destacou que o leite longa vida foi um dos principais responsáveis pelo avanço dos preços nos supermercados, acumulando alta de 12,21% apenas em abril. Também pesaram no bolso do consumidor produtos como cenoura, que disparou 27,27%, cebola, com aumento de 10,08%, e tomate, que subiu 7,01%.

“Dos 10 itens que mais aumentaram em abril, na Região Metropolitana de Salvador, nove foram alimentos”, informou o instituto no levantamento divulgado ontem.

Ainda de acordo com o IBGE, o grupo habitação apresentou o maior crescimento mensal entre todos os setores pesquisados. O gás de botijão teve aumento de 4,77%, enquanto a energia elétrica residencial subiu 2,23%.

O instituto ressaltou que o gás de cozinha exerceu, individualmente, a principal pressão inflacionária do mês na Região Metropolitana de Salvador. O aumento acontece em um momento de dificuldade econômica para muitas famílias, que já enfrentam elevação constante nos preços de produtos essenciais.

Por outro lado, o grupo transportes foi o único a apresentar queda em abril, registrando retração de 0,30%. Segundo o levantamento, a principal influência veio das passagens aéreas, que tiveram redução expressiva de 23,15%, ajudando a conter um avanço ainda maior da inflação.

Conforme o IBGE, a queda acontece após o grupo transportes ter registrado, em março, a maior alta mensal em 20 anos, com avanço de 4,79%.

Nos quatro primeiros meses de 2026, a inflação acumulada na Região Metropolitana de Salvador chegou a 3,04%, configurando a terceira maior do país. O percentual ficou acima da média nacional, que acumulou 2,60% no mesmo período.

Segundo os dados divulgados pelo instituto, apenas as regiões metropolitanas de Belém e Fortaleza apresentaram inflação acumulada superior à registrada em Salvador neste ano.

Já no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em abril, o IPCA da Região Metropolitana de Salvador chegou a 4,51%, superando o índice nacional de 4,39%. Conforme o IBGE, houve aceleração em relação a março, quando o acumulado era de 4,01%.

O levantamento também trouxe os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos. Na Região Metropolitana de Salvador, o indicador ficou em 0,77% em abril.

Segundo o IBGE, embora o resultado tenha mostrado desaceleração em relação a março, quando o índice foi de 1,52%, o INPC também registrou o maior resultado para um mês de abril em quatro anos.

O instituto explicou que o INPC é considerado um dos indicadores mais sensíveis para trabalhadores assalariados e famílias de menor renda, justamente porque concentra maior peso em despesas essenciais, como alimentação, energia elétrica e gás de cozinha.

Nos primeiros quatro meses do ano, o INPC acumulado em Salvador chegou a 3,19%, ficando acima da média nacional de 2,70%. Já no acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,19%.

Para especialistas, os números revelam que, apesar da desaceleração pontual observada em abril, o custo de vida continua pressionando o orçamento das famílias baianas, especialmente entre as camadas mais pobres da população. O aumento persistente dos alimentos e das despesas domésticas segue sendo um dos principais desafios econômicos enfrentados no estado. 

Fonte Tribuna da Bahia