Estudo aponta que população que utiliza os medicamentos deve crescer até seis vez mais no país
Você provavelmente conhece alguém próximo que emagreceu com auxílio de canetas emagrecedoras. Se não conhece, deve lembrar de algum famoso que fez o uso do medicamento e, em pouco tempo, mudou a aparência. As “canetinhas” já são uma realidade para 4,6% dos lares brasileiros e o uso ainda deve aumentar muito no país. Especialistas avaliam que em até dois anos, o percentual deve atingir 30%.
Para Domenico Filho, diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ, empresa líder em inteligência sobre o consumidor, dois fatores principais devem contribuir com a popularização do uso das canetas. “Acreditamos que o Brasil pode chegar a 30% porque mais de 26% das famílias que dizem ter interesse em usar o medicamento, não utilizam porque acham o produto caro ou porque faltam informações sobre os produtos”, explica.
A patente da semaglutida, substância usada em medicamentos como o Ozempic e Wegovy, expirou em março, o que tem contribuído para o lançamento de novos produtos. A expectativa é que o aumento da oferta contribua para a redução dos preços. Na semana passada, a farmacêutica EMS anunciou que o preço da primeira caneta brasileira de semaglutida vai custar a partir de R$ 452 – quase metade do praticado hoje no mercado. O medicamento já deve chegar ao mercado a partir de 15 de junho.
“A queda de patente deve aumentar o uso e, com isso, aumentar o nível de informações que as pessoas possuem sobre as canetas. É difícil precisar quando isso vai acontecer. Mas arrisco dizer que até o final deste ano, devemos ter cerca de 10% das famílias brasileiras fazendo o uso da medicação, desde que ocorra o barateamento. O percentual deve chegar, nos próximos dois anos, a cerca de 30%”, acrescentou Domenico Filho.
Qual o perfil de quem usa?
A pesquisa realizada em mais de 8 mil lares brasileiros sobre uso de canetas emagrecedoras no Brasil, em 2026, revela o perfil de quem compra os medicamentos. O uso é maior na região Centro-Oeste, onde chega a 8,2% das famílias. No Nordeste, o percentual de lares que afirma fazer uso é de 2,2%.
Nacionalmente, 69,5% dos consumidores pertencem às classes de nível socioeconômico alto, percentual muito superior aos 29,8% registrados no painel geral da população. A maior concentração está na faixa etária de 36 a 50 anos, que representa 43,1% dos usuários.
Em relação à composição familiar, 46% vivem em residências com três a quatro moradores. Além disso, o consumo é mais comum em lares sem crianças, que correspondem a 61% dos usuários.
Aumento do uso no Brasil
O uso de canetas emagrecedoras no país e a consequência da popularização para o setor varejista foram debatidos durante coletiva de imprensa na Convenção Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) 2026, em Atibaia (SP). Segundo o estudo apresentado, os brasileiros gastam, em média, R$ 800 com os medicamentos.
Quem usa e paga caro por isso, muda a forma de consumo para economizar. A “Pesquisa em Lares sobre medicamentos injetáveis à base de GLP-1 em 2026” mostra que 62,3% dos brasileiros que fazem o uso das canetas diminuíram saídas a bares e 54,9% reduziram idas aos restaurantes. Metade diminuiu o dinheiro gasto com lazer e 16,4% reduziu as contas do supermercado.
A mudança de rotina tem relação com o efeito da medicação, que gera sensação de saciedade e reduz o apetite, diminuindo a ingestão de alimentos. À primeira vista, a redução de idas aos mercados e a bares e restaurantes podem parecer prejudicial ao comércio. Mas dados da NielsenIQ revelam que 86% dos brasileiros já adotam ao menos um hábito saudável e que 11% dos consumidores “extremamente saudáveis” gastam 11% a mais em bens de consumo.
“A gente começa a ter crescimento de categorias que geram uma maior margem para o setor varejista. Proteínas animais, vegetais, crescimento de venda de suplementos. Então, são categorias que tendem a deixar o negócio do próprio varejista mais saudável financeiramente. Pensando no médio prazo, as famílias tendem a reduzir gastos que hoje têm com outras medicações, o que pode ser revertido em mais consumo no varejo”, detalhou Domenico Filho.
Fonte Correio da Bahia


