Em março deste ano, a geração eólica baiana produziu 2.312 gigawatts-hora (GWh), volume suficiente para beneficiar cerca de 49 milhões de habitantes ou aproximadamente 17 milhões de residências.
A Bahia consolidou sua posição como principal polo da energia eólica no Brasil ao reunir investimentos estimados em R$ 77 bilhões, gerar cerca de 118 mil empregos e responder por aproximadamente 37% de toda a produção nacional da fonte nos últimos 12 meses. Com 381 usinas em operação e potência outorgada de 11,8 gigawatts (GW), o estado lidera o setor e mantém influência crescente na economia e na matriz elétrica brasileira.
Os números divulgados pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), em referência ao Dia Mundial do Vento, celebrado na próxima segunda-feira, mostram a dimensão alcançada pelo segmento no estado. Em março deste ano, a geração eólica baiana produziu 2.312 gigawatts-hora (GWh), volume suficiente para beneficiar cerca de 49 milhões de habitantes ou aproximadamente 17 milhões de residências.
O desempenho também se reflete na expansão da oferta nacional de energia. Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam que os novos parques implantados na Bahia responderam por 64% do crescimento da potência instalada e da oferta de energia eólica do país em 2025.
Além da produção energética, os empreendimentos exercem influência direta sobre a economia dos municípios onde são instalados. Segundo a SDE, as cidades que recebem parques eólicos registram aumento na arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) durante a fase de construção das usinas, período que concentra obras civis, montagem de equipamentos e contratação de fornecedores.
Após a conclusão das obras, a arrecadação do ISS tende a diminuir em razão da redução das atividades de implantação. Já a arrecadação total dos municípios, composta por tributos como ICMS, IPVA, ITD e taxas diversas, mantém trajetória mais estável e pode continuar crescendo mesmo após o início da operação comercial dos empreendimentos.
A força da geração eólica também contribui para a posição da Bahia no setor elétrico nacional. Atualmente, o estado é o quinto maior produtor de eletricidade do Brasil e exporta aproximadamente 40% de toda a energia gerada para outras regiões do país por meio do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A expansão da atividade alcança atualmente 37 municípios baianos que possuem parques eólicos em funcionamento. Entre eles estão Caetité, Guanambi, Campo Formoso, Casa Nova, Morro do Chapéu, Sento Sé, Umburanas e Xique-Xique, localidades que passaram a concentrar investimentos, empregos e oportunidades de negócios associados à cadeia produtiva do setor.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico em exercício, Aécio Moreira, a liderança baiana resulta da combinação entre potencial natural e políticas de atração de investimentos. “A Bahia possui os melhores ventos do Brasil, com características únicas de constância, estabilidade e direção, além de um ambiente favorável para a implantação de empreendimentos de energia renovável. Isso fortalece nossa economia, gera emprego e renda e posiciona o estado na vanguarda da transição energética”, afirma.
Um dos fatores apontados pela pasta para explicar esse desempenho é o chamado corredor de ventos da Bahia. O fenômeno é caracterizado pela presença de ventos constantes, estáveis e unidirecionais, condição considerada ideal para a operação dos aerogeradores e responsável por elevar a eficiência dos parques instalados no estado.
A elevada produtividade pode ser observada no fator médio de capacidade registrado pela Bahia, que alcança 45%. O indicador mede a eficiência dos empreendimentos na conversão da força dos ventos em eletricidade e está entre os principais parâmetros utilizados para avaliar o desempenho operacional da geração eólica.
O potencial de crescimento do setor ainda é considerado elevado. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que existem atualmente duas usinas eólicas em construção na Bahia, com potência outorgada de 101,4 megawatts (MW), investimentos estimados em R$ 656,5 milhões e capacidade para gerar cerca de mil empregos em toda a cadeia produtiva.
A carteira de projetos futuros apresenta números ainda mais expressivos. Segundo a Aneel, há 147 usinas com construção não iniciada no estado, somando 5,96 GW de potência outorgada, previsão de investimentos da ordem de R$ 39 bilhões e potencial para gerar aproximadamente 60 mil empregos.
O cenário reforça a expectativa de continuidade dos investimentos em geração terrestre. A Bahia possui potencial anual estimado de 766,5 terawatts-hora (TWh) em projetos onshore e capacidade instalável de 195,2 GW, números que sustentam a expansão da atividade nos próximos anos.
Embora estudos do Ministério de Minas e Energia apontem potencial técnico de cerca de 1.200 GW para geração eólica offshore no Brasil, o mercado ainda concentra seus esforços na expansão dos parques instalados em terra. A avaliação da SDE é que o modelo onshore permanece mais competitivo economicamente e conta com uma cadeia produtiva já consolidada no estado.
Segundo a secretaria, não há atualmente movimento significativo do mercado voltado à implantação de projetos offshore no litoral baiano. O interesse dos investidores permanece concentrado nos empreendimentos terrestres, impulsionado pela disponibilidade de áreas, pela infraestrutura existente e pelas condições naturais que transformaram a Bahia na principal referência nacional da energia dos ventos.
Fonte Tribuna da Bahia


