Famílias podem adotar estratégias para inclusão durante os festejos
Com bandeirolas, fogos de artifício, iluminação intensa, música alta, apresentações culturais e grande circulação de pessoas, as festas juninas transformam escolas, praças e espaços públicos em ambientes de celebração. Apesar do clima festivo, a quantidade de estímulos sonoros, visuais e sociais presentes nesses eventos pode gerar desconforto para crianças com deficiência, especialmente aquelas que apresentam sensibilidades sensoriais. Nesse contexto, o planejamento prévio e a adoção de algumas adaptações podem contribuir para uma participação mais tranquila e segura.
Segundo a fisioterapeuta Jamaica Araújo, fundadora da Clínica Espaço Kids, a presença da criança em eventos com muitos estímulos deve ser organizada de acordo com suas necessidades individuais, respeitando seus limites e favorecendo experiências positivas.
“As festas juninas são momentos importantes de convivência e inclusão, mas é preciso entender que algumas crianças podem se sentir sobrecarregadas diante de tantos estímulos acontecendo ao mesmo tempo. Quando a família conhece os sinais de desconforto e se prepara com antecedência, é possível garantir que a criança participe das atividades de forma mais tranquila, segura e prazerosa”.
Entre as recomendações da fisioterapeuta estão a preparação antecipada da criança para o evento, com explicações sobre a programação e o ambiente; o uso de recursos que promovam conforto, como abafadores de ruído, brinquedos sensoriais e objetos de apego; a identificação de locais mais tranquilos para momentos de pausa; e a limitação do tempo de permanência em espaços muito movimentados, quando necessário.
A previsibilidade é considerada um fator importante para reduzir a ansiedade e ampliar a sensação de segurança da criança. “Mostrar fotos do local, explicar quais atividades acontecerão e estabelecer combinados antes do evento ajudam a reduzir a ansiedade. Também é importante que a família se sinta à vontade para adaptar a programação, caso perceba que a criança está desconfortável”, orienta Jamaica.
De acordo com ela, a construção de ambientes verdadeiramente inclusivos exige o envolvimento não apenas das famílias, mas também das escolas, organizadores de eventos e da sociedade como um todo. A adoção de medidas simples, como a criação de espaços de acolhimento, a oferta de áreas mais silenciosas e a conscientização sobre as diferentes necessidades das crianças, pode tornar as celebrações mais acessíveis e respeitosas.
“Quando pensamos em inclusão, não estamos falando apenas de acesso, mas de participação real. Com acolhimento, planejamento e pequenas adaptações, as festas juninas podem se tornar experiências positivas, seguras e significativas para todas as crianças e suas famílias”, acrescenta.
Fonte Correio da Bahia


