Pesquisa identificou associação entre níveis elevados de açúcar no sangue e aumento da idade biológica cerebral, mesmo antes de sintomas neurológicos.
Níveis elevados de glicose no sangue podem estar associados ao envelhecimento precoce do cérebro, segundo um estudo publicado na revista científica Molecular Psychiatry. A pesquisa indica que o excesso de açúcar no organismo pode acelerar alterações cerebrais antes mesmo do surgimento de sintomas de doenças neurodegenerativas.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Jilin e da Universidade Médica da China, com base em dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de informações médicas do mundo. Foram analisados exames de ressonância magnética, dados genéticos e metabólicos de milhares de participantes.
Utilizando inteligência artificial, os cientistas estimaram a idade biológica do cérebro dos voluntários e identificaram nove metabólitos relacionados ao envelhecimento cerebral. Entre eles, a glicose apresentou a associação mais significativa. Pessoas com níveis mais elevados de açúcar no sangue apresentaram, em média, um cérebro biologicamente mais envelhecido em relação à idade cronológica.
Segundo especialistas, o excesso persistente de glicose favorece processos como inflamação, estresse oxidativo e alterações na circulação sanguínea cerebral, fatores que podem comprometer a saúde dos neurônios ao longo do tempo. Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo demonstra uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito.
Os autores destacam que hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle de doenças metabólicas e acompanhamento médico são fundamentais para manter níveis adequados de glicose e contribuir para a preservação da saúde cerebral durante o envelhecimento.
Fonte: Molecular Psychiatry / Universidade de Jilin / Universidade Médica da China


