A oito semanas da prova, especialista alerta que o excesso de dicas, métodos e conteúdos nas redes sociais pode fragmentar o foco e aumentar a ansiedade dos estudantes

Cronograma pronto para baixar, lista de “10 dicas infalíveis para aprovação”, vídeo de estudante contando a própria rotina, story de colega que já revisou a apostila inteira. Quem está se preparando para o Enem pode não sofrer por falta de orientação sobre como estudar, mas pelo excesso. Os canais digitais viabilizam conteúdos e ferramentas importantes, mas, se não houver um direcionamento, o volume de informações “soltas” pode mais afetar a rotina e o rendimento do que ajudar, especialmente na reta final para o exame.

Não é só o tempo de tela que pesa, mas o formato do que é consumido. Vídeos curtos, rolagem infinita e comparação constante com a rotina alheia treinam o cérebro para trocar de estímulo a cada poucos segundos, o oposto do que a reta final do Enem exige. “Não é só o tempo gasto rolando o feed ou pulando de um método de estudo para outro. É o foco que se fragmenta a cada notificação, e a energia mental, que deveria ir para o estudo, se esgota antes, absorvendo os estímulos e decidindo o que assistir, o que seguir, o que aplicar”, explica Margrit Gusmão, diretora do Pré-Vestibular Bernoulli.

Para a educadora, é mais produtivo manter uma rotina que já funciona, com a orientação da escola, do que tentar se adaptar a métodos ou ritmos que podem não combinar com o perfil do estudante. “Em meio a tantas informações, clareza e consistência são nossas maiores aliadas. O foco deve ser em aprimorar o que já se mostrou eficaz para o aluno, com o suporte e a segurança da instituição de ensino, evitando a dispersão em métodos aleatórios, que só geram mais ansiedade, algo que não queremos, sobretudo na reta final de preparação”, afirma.

Cada troca de tarefa tem um custo: a alternância de atenção pode reduzir o rendimento. Isso porque o cérebro não retoma o foco de onde parou, ele precisa se readaptar à tarefa anterior. Uma pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, mostra um dado que evidencia isso: mais de 80% dos estudantes brasileiros afirmam prestar mais atenção nas aulas depois da restrição ao uso de celulares em sala de aula.

A comparação social também entra nessa conta: um levantamento do Instituto Cactus com a AtlasIntel mostrou que, entre os brasileiros que passam três horas ou mais por dia em redes sociais, 43,5% têm diagnóstico de ansiedade.

Acompanhar a rotina de estudos de outros candidatos nas redes tende a gerar mais ansiedade do que direção, alimentando a sensação de estar atrasado em relação a alguém. “No Enem, em que resiliência e gestão do tempo são tão cruciais quanto conhecimento acadêmico, o equilíbrio emocional é a base. Incentivamos que o aluno cultive um ambiente de estudo focado, pois uma mente tranquila e concentrada é a estratégia que ajudará a ter sucesso no exame”, destaca Margrit.

Em busca de qualidade: navegando pela rolagem infinita de conteúdos

A proliferação de perfis e conteúdos de estudo nem sempre vem acompanhada de qualidade, o que pode mais confundir do que ajudar. A busca por engajamento muitas vezes resulta em informações superficiais, achismos, imprecisões e sensacionalismo, induzindo o estudante ao erro e roubando um tempo e uma atenção que poderiam ser mais bem aproveitados.

“O aluno deve priorizar fontes oficiais, como o Inep e a escola. A qualidade da informação, e não a quantidade, é o que realmente fará a diferença para ter sucesso na prova”, aconselha Margrit.

O caminho é confiar em quem já filtrou

Para a diretora do Pré-Vestibular Bernoulli, o problema muitas vezes está na dificuldade de separar o essencial do que é apenas ruído. “Para o aluno que quer ter um bom desempenho no Enem, o mais importante é criar consistência. Uma rotina organizada, com metas semanais e revisões frequentes, costuma trazer resultados mais sólidos do que jornadas excessivas e difíceis de sustentar”, completa.

É esse o princípio por trás da Central Enem Bernoulli, plataforma gratuita dedicada ao exame, que reúne aulas, conteúdos, notícias e ferramentas em um só lugar, acompanhando o estudante em diferentes momentos da preparação, inclusive depois da prova, no período de resultado e inscrição em universidades (Sisu).

Em vez de mais uma lista solta para o estudante organizar sozinho, a proposta é um percurso já filtrado e validado, com curadoria de quem acompanha o Enem de perto: um recorte editado da imensa quantidade de informação disponível, e não mais uma camada dela.

Um exemplo prático desse recorte é o Esquenta Enem Bernoulli 2026, aulas especiais de revisão on-line, conduzida por professores especialistas do Bernoulli e de escolas parceiras. O evento será no dia 2 de outubro, das 14h às 18h, no canal do Bernoulli Sistema de Ensino no YouTube, e contará com apresentação da influenciadora Débora Aladim. Mais informações e inscrições no link.

Na reta final para o Enem, a diferença não costuma estar em quem consumiu mais conteúdo sobre como estudar, e sim em quem direcionou seus esforços de forma estratégica, considerando uma metodologia com curadoria e foco.

FONTE CORREIO DA BAHIA