Cardiologista e docente da Zarns explica por que reconhecer os primeiros sintomas e buscar atendimento rapidamente pode ser decisivo
Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), disponibilizados pelo DATASUS e analisados em estudo epidemiológico na Bahia, 74.910 internações por AVC foram registradas no estado entre janeiro de 2020 e janeiro de 2025. O ano de 2024 concentrou o maior número de hospitalizações do período, com 16.163 registros.
O AVC acontece quando há um comprometimento da circulação sanguínea no cérebro. No isquêmico (o mais frequente), um vaso é obstruído por um coágulo, impedindo que o sangue e o oxigênio cheguem adequadamente a determinada região cerebral. Já no tipo hemorrágico, ocorre o rompimento de um vaso e, consequentemente, sangramento no cérebro. Embora tenham mecanismos diferentes, os dois casos podem provocar danos neurológicos e deixar sequelas.
Segundo a cardiologista e docente da Faculdade de Medicina Zarns Salvador, Lucélia Magalhães, reconhecer os sintomas rapidamente é fundamental para aumentar as possibilidades de tratamento. A médica ressalta que os sinais podem aparecer de forma súbita. “Entre os principais sinais de atenção estão a perda ou redução de força em um dos lados do corpo, episódios de confusão ou desorientação, alteração na fala e desvio da comissura labial (quando a boca fica torta)”, afirma.
O tempo entre o início dos sintomas e a chegada ao atendimento médico também é decisivo. No AVC isquêmico, pacientes podem ser submetidos a tratamentos capazes de desobstruir o vaso e restabelecer o fluxo sanguíneo, e a rapidez do atendimento influencia diretamente na possibilidade de recuperação.
Diante de sintomas suspeitos, a recomendação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Lucélia alerta para a importância de não administrar medicamentos por conta própria. “Não recomendamos que se ofereça nenhum medicamento porque, se for um AVC hemorrágico, pode piorar o sangramento. O ideal é chamar o atendimento e deixar que a equipe faça a avaliação e oriente o encaminhamento”, orienta a médica.
As consequências de um AVC podem ser significativas. “Dependendo da região e da extensão, o paciente pode ficar com dificuldades para movimentar um lado do corpo, falar, compreender ou realizar atividades do dia a dia. Tudo depende da extensão, da localização e do tratamento realizado. Quanto mais rápido o atendimento, maior a possibilidade de recuperação e de redução das sequelas”, ressalta Lucélia.
A prevenção da doença passa principalmente pelo acompanhamento regular da pressão arterial e pelo controle dos demais fatores de risco cardiovasculares. “A hipertensão deve ser acompanhada de perto, porque ela provoca alterações nas artérias ao longo do tempo, favorecendo processos inflamatórios, espessamento dos vasos e formação de placas, até que possa ocorrer uma obstrução. Além disso, a recomendação é manter uma alimentação equilibrada e o controle do diabetes e da obesidade”, reforça a docente da Faculdade de Medicina Zarns Salvador.
Embora seja mais frequente com o avanço da idade, o AVC também pode atingir pessoas mais jovens. Segundo a especialista, fatores como estresse e algumas condições cardiovasculares podem aumentar o risco de eventos cerebrovasculares antes dos 65 anos. Por isso, manter os fatores de risco sob controle é uma medida importante para prevenir a doença.
FONTE CORREIO DA BAHIA


