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A gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado.

COLUNA – A gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática, é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Embora muitas pessoas acreditem que esse problema esteja relacionado apenas ao consumo de bebidas alcoólicas, ele também pode ocorrer em pessoas que não consomem álcool.

Atualmente, a condição é frequentemente associada ao excesso de peso, à gordura abdominal, à resistência à insulina, ao diabetes tipo 2, ao colesterol elevado e aos triglicerídeos altos. Entretanto, pessoas com peso considerado normal também podem desenvolver esteatose hepática.

O grande desafio é que a gordura no fígado geralmente não provoca sintomas nas fases iniciais. Por isso, muitas pessoas convivem com o problema durante anos sem saber que precisam de cuidados.

Como identificar se você tem gordura no fígado?

Não é possível confirmar a presença de gordura no fígado apenas pelos sintomas ou pela aparência física. O diagnóstico depende de avaliação clínica e exames complementares.

Entre os exames utilizados estão a ultrassonografia abdominal, que pode identificar o acúmulo de gordura, e outros métodos de imagem, como a elastografia hepática, que ajuda a avaliar sinais de fibrose, ou seja, cicatrização do tecido do fígado.

Os exames de sangue também são importantes. A dosagem de TGO (AST), TGP (ALT), glicemia, hemoglobina glicada, colesterol e triglicerídeos pode ajudar a avaliar a saúde metabólica e hepática.

É importante destacar que as enzimas do fígado podem estar normais mesmo quando existe esteatose ou fibrose. Portanto, resultados normais não descartam completamente o problema.

Quais são os sintomas da gordura no fígado?

Na maioria dos casos, a esteatose hepática não apresenta sintomas específicos. Quando aparecem, algumas manifestações possíveis incluem:

Cansaço frequente e falta de disposição.

Desconforto ou sensação de peso na região superior direita do abdômen.

Mal-estar e indisposição.

Em fases mais avançadas, pele e olhos amarelados, inchaço abdominal e nas pernas.

Esses sintomas não são exclusivos da esteatose e podem estar relacionados a outras condições. Além disso, sinais como icterícia e inchaço abdominal importante exigem avaliação médica rápida.

A ausência de sintomas não significa que o fígado esteja saudável. Em algumas pessoas, a doença pode evoluir para inflamação, fibrose e, em casos avançados, cirrose.

Como a alimentação influencia a gordura no fígado?

O fígado participa do metabolismo dos carboidratos, das gorduras e das proteínas. Quando existe excesso de energia disponível, especialmente associado à resistência à insulina e a alterações metabólicas, pode ocorrer maior acúmulo de gordura nesse órgão.

O consumo frequente de bebidas açucaradas, refrigerantes, doces, produtos ultraprocessados e alimentos muito calóricos pode contribuir para o desenvolvimento e a progressão da doença.

Isso não significa que seja necessário eliminar completamente os carboidratos ou todas as fontes de gordura. O mais importante é melhorar a qualidade da alimentação, ajustar as porções e estabelecer um padrão alimentar sustentável.

Uma alimentação rica em vegetais, frutas inteiras, legumes, feijões, cereais integrais, proteínas magras e gorduras insaturadas pode contribuir para a melhora da saúde metabólica e do fígado.

Como o nutricionista pode ajudar a resolver o problema?

O acompanhamento nutricional é uma parte fundamental do tratamento da esteatose hepática. O nutricionista avalia os hábitos alimentares, a composição corporal, a circunferência abdominal, a rotina e os fatores metabólicos para elaborar um plano alimentar individualizado.

Para pessoas com excesso de peso, a perda de peso gradual pode reduzir significativamente a gordura no fígado. Em muitos casos, uma redução de 5% do peso corporal já diminui a esteatose, enquanto perdas maiores, em torno de 7% a 10% ou mais, podem favorecer a melhora da inflamação e, em alguns pacientes, da fibrose. Os resultados variam de acordo com a gravidade da doença e a resposta individual.

Além disso, o nutricionista pode orientar estratégias para reduzir o consumo de açúcar, melhorar a ingestão de fibras, distribuir adequadamente as proteínas e organizar as refeições de acordo com as necessidades de cada pessoa.

A prática regular de atividade física também é importante, inclusive para quem não precisa perder peso. Exercícios aeróbicos e de força podem contribuir para reduzir a gordura hepática e melhorar a sensibilidade à insulina.

Outro ponto essencial é evitar dietas extremamente restritivas, jejuns inadequados e o uso de suplementos ou chás com promessas de desintoxicação do fígado. Alguns produtos podem, inclusive, causar lesões hepáticas.

Qual é o primeiro passo para cuidar do seu fígado?

Se você apresenta gordura abdominal, excesso de peso, diabetes, triglicerídeos elevados ou histórico de alterações nos exames hepáticos, vale procurar avaliação médica para investigar possíveis alterações no fígado.

O médico poderá solicitar os exames necessários e avaliar o risco de fibrose. Em paralelo, o acompanhamento com um nutricionista ajuda a transformar as recomendações em hábitos alimentares práticos, personalizados e sustentáveis.

A boa notícia é que a esteatose hepática pode melhorar significativamente com mudanças consistentes no estilo de vida. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as oportunidades de prevenir sua progressão.

Cuidar do fígado não significa apenas eliminar a gordura: significa melhorar a saúde metabólica como um todo. Uma alimentação equilibrada, o controle do peso, a atividade física e o acompanhamento profissional são aliados importantes para proteger esse órgão e conquistar mais saúde e qualidade de vida.

Não espere sentir sintomas para cuidar de você. Seu fígado pode precisar de atenção mesmo quando você se sente bem.