Usado muitas vezes para cobrir emergências domésticas, o consignado compromete a renda fixa que sustentava lares inteiros

O avanço do crédito consignado, combinado ao aumento do custo de vida e das despesas com saúde, tem levado um número crescente de idosos ao superendividamento no Brasil.

Quando parcelas de empréstimos e financiamentos passam a consumir boa parte da aposentadoria ou pensão, sobra menos dinheiro para despesas essenciais, como alimentação, moradia, medicamentos e contas do dia a dia.

Alta nas dívidas de idosos acende sinal de alerta

Dados da Serasa Experian mostram que 15,9 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais estavam inadimplentes em janeiro de 2026. O número representa uma forte alta em relação aos 9,2 milhões registrados em 2020 e aos 14,1 milhões de 2025.

Ao cruzar esses dados com as estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especialistas apontam que uma parcela expressiva da população idosa enfrenta dificuldades para equilibrar o orçamento.

O cenário se torna ainda mais preocupante quando o aposentado ou pensionista não consegue quitar as dívidas sem comprometer o chamado mínimo existencial, valor necessário para garantir condições básicas de sobrevivência.

Facilidade do consignado é a principal armadilha para o bolso

O empréstimo consignado aparece entre os principais fatores por trás do endividamento da terceira idade. Como as parcelas são descontadas diretamente do benefício do INSS, a modalidade costuma oferecer juros menores, mas também facilita a contratação sucessiva de novos créditos.

Além disso, aposentados e pensionistas frequentemente são alvo de ofertas agressivas por telefone, aplicativos de mensagens e redes sociais. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) milhões de beneficiários recebem propostas de empréstimo diariamente.

Em muitos casos, o dinheiro obtido é usado para pagar dívidas antigas, ajudar familiares ou cobrir despesas inesperadas. O resultado costuma ser um ciclo de refinanciamentos que reduz cada vez mais a renda disponível.

Fraudes, empréstimos contratados sem autorização e descontos indevidos também figuram entre as reclamações mais frequentes.

Fique atento aos primeiros sinais

Embora o desconto em folha seja permitido por lei, existem limites para a chamada margem consignável. Por isso, especialistas recomendam que aposentados e pensionistas acompanhem regularmente os extratos de pagamento para identificar cobranças desconhecidas ou divergências nos contratos.

Ao encontrar alguma irregularidade, o beneficiário pode:

Solicitar o bloqueio do benefício para novos empréstimos pelo Meu INSS;

Contestar cobranças diretamente com a instituição financeira;

Registrar reclamações em órgãos de defesa do consumidor;

Comunicar casos de fraude às autoridades competentes.

Lei protege aposentados e garante o dinheiro da sobrevivência

Desde 2021, a Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181) criou mecanismos para proteger consumidores que perderam a capacidade de pagar suas dívidas sem comprometer a própria subsistência.

A norma permite que o consumidor reúna diferentes débitos de consumo em uma única negociação judicial ou extrajudicial, buscando um plano de pagamento compatível com sua renda.

Entre as garantias previstas pela lei está a preservação do mínimo existencial, assegurando recursos para despesas básicas como alimentação, moradia e saúde. A norma também permite a renegociação das dívidas com parcelamento em até cinco anos.

Saiba onde conseguir apoio e orientação de graça

Quem enfrenta dificuldades para renegociar empréstimos, financiamentos ou dívidas de cartão de crédito pode procurar os Procons estaduais e municipais, que oferecem mediação gratuita com os credores.

Quando não há acordo, a Defensoria Pública pode prestar assistência jurídica para ações de repactuação de dívidas previstas na Lei do Superendividamento.

Especialistas orientam reunir contratos, comprovantes de pagamento, extratos bancários e documentos relacionados às dívidas antes de buscar atendimento.

O que avaliar antes de assinar um novo contrato

Antes de assumir uma nova dívida, é importante avaliar se a parcela realmente cabe no orçamento mensal e comparar o Custo Efetivo Total (CET) oferecido por diferentes instituições financeiras.

Também é recomendável desconfiar de promessas de aprovação imediata, juros muito abaixo do mercado ou pedidos de pagamento antecipado para liberar crédito.

Fonte Correio Da Bahia