O 13 de maio marca a assinatura da Lei Áurea, em 1888, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil. Apesar de representar o fim legal de um sistema brutal que durou mais de três séculos, a data também convida à reflexão crítica sobre o que mudou — e o que ainda precisa mudar — em relação ao racismo, à desigualdade social e à valorização da cultura afro-brasileira.

Tratar a Abolição da Escravatura na escola é um compromisso com a
 educação
antirracista. Mais do que apenas relembrar um marco legal, o objetivo deve ser conscientizar sobre a resistência dos povos negros, sua herança cultural e os desafios da população afrodescendente até hoje.

Este post traz sugestões de atividades contextualizadas para diferentes etapas do ensino, além de projetos para envolver toda a comunidade escolar.

O que foi a Abolição da Escravatura?

A Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, declarou extinta a escravidão no Brasil. Contudo, a abolição não veio acompanhada de políticas públicas para inserção dos negros na sociedade — não houve acesso à terra, trabalho digno ou educação. Por isso, muitos estudiosos e ativistas consideram que a abolição foi incompleta.

Desde então, movimentos negros reivindicam reconhecimento, reparação  histórica e combate ao racismo estrutural. O trabalho com essa temática nas escolas deve incluir o protagonismo negro, o papel das resistências quilombolas, os movimentos sociais e a valorização da cultura afro-brasileira.

Atividades por etapa de ensino

Educação Infantil

Objetivo: Trabalhar a valorização da identidade e da diversidade étnico-racial com ludicidade.

Atividades sugeridas:

  • Contação de  histórias com personagens negros positivos: utilizar livros como O cabelo da Lelê ou Menina bonita do laço de fita, seguidos de conversas sobre identidade.
  • Espelho da diversidade: criar um mural com autorretratos das crianças, valorizando tons de pele, cabelos e traços distintos.
  • Brincadeiras afro-brasileiras: resgatar cantigas de roda, batuques e jogos tradicionais africanos com instrumentos de percussão simples.

Ensino Fundamental – Anos Iniciais

Objetivo: Apresentar a história da escravidão e trabalhar a valorização da cultura afro-brasileira.

Atividades sugeridas:

  • Linha do tempo da luta pela liberdade: construir, com apoio visual, a trajetória da população negra no Brasil: escravidão, resistência, quilombos, abolição e dias atuais.
  • Oficinas de turbantes e brincos africanos: apresentar os significados simbólicos dos trajes africanos e promover momentos de criação artística com respeito à origem cultural.
  • Leitura e reescrita de contos africanos: selecionar histórias tradicionais e propor reinterpretações em forma de teatro ou ilustração.

Ensino Fundamental – Anos Finais

Objetivo: Desenvolver a reflexão crítica sobre o racismo e a resistência negra no Brasil.

Atividades sugeridas:

  • Debates sobre abolição e racismo estrutural: usar vídeos e textos informativos para discutir por que a abolição não significou liberdade plena para os negros.
  • Pesquisa sobre lideranças negras históricas: alunos pesquisam figuras como Zumbi dos Palmares, Dandara, Luiz Gama, Carolina Maria de Jesus, entre outros, e apresentam para a turma.
  • Produção de cordel ou poema slam: criar produções artísticas sobre a luta do povo negro, que podem ser apresentadas em formato de sarau.

Ensino Médio

Objetivo: Incentivar o pensamento crítico, a análise histórica e a produção autoral sobre a temática.

Atividades sugeridas:

  • Rodas de conversa com convidados negros da comunidade: trazer profissionais, artistas ou ativistas para compartilhar experiências e fortalecer o vínculo entre escola e realidade social.
  • Análise de documentos históricos: examinar trechos da Lei Áurea, jornais da época, textos de intelectuais negros e identificar ausências e silenciamentos.
  • Campanha antirracista nas redes sociais: estudantes criam vídeos, posts ou podcasts com reflexões sobre o racismo hoje, conectando o passado ao presente.

Atividades para toda a escola

1. Exposição “A luta continua”

Montar painéis com fotos, textos, depoimentos e produções dos alunos sobre a trajetória da população negra no Brasil: da escravidão à atualidade.

Conclusão

Trabalhar o 13 de maio nas escolas não é apenas relembrar a assinatura de uma lei. É oportunidade de reconhecer a resistência histórica dos negros, desconstruir mitos sobre a abolição e, sobretudo, promover a  educação para a igualdade racial.

Ao propor atividades que envolvam escuta, produção autoral, protagonismo e respeito à diversidade, professores contribuem para formar alunos mais críticos, empáticos e conscientes do papel transformador da educação.

Matéria feita pelo site isertao.com.br