Dados são do Censo Demográfico.

A Bahia reúne a segunda maior população indígena do Brasil e concentra as maiores comunidades de algumas das principais etnias do país.  É o que apontam os dados do Censo Demográfico 2022, divulgado nessa quarta-feira (15) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O levantamento mostra que 229.443 pessoas se declararam indígenas no estado, evidenciando a importância do território baiano na composição dos povos originários brasileiros.

Os dados revelam que a diversidade indígena baiana vai além do volume populacional. Do total registrado, 88.417 pessoas (38,5%) declararam pertencimento a pelo menos uma das 233 etnias identificadas no estado, indicando um movimento relevante de afirmação identitária. “O Censo Demográfico é a única pesquisa estatística nacional que conta, retrata e mapeia a população indígena”, destacou o instituto.

Entre os povos mais numerosos, a Bahia lidera nacionalmente em todas as cinco principais etnias: Pataxó, Tupinambá, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Kiriri e Tumbalalá. O protagonismo é dos Pataxó, que somam 35.291 pessoas, representando 39,9% dos indígenas que declararam etnia no estado. A presença dos pataxós se distribui por boa parte do território.

Os pataxós predominam em cerca de um terço dos municípios baianos onde há identificação étnica majoritária, com maior concentração no sul e extremo sul, especialmente em Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália e Prado. No contexto nacional, quase 9em cada 10 pataxós vivem na Bahia, o que reforça o papel estratégico do estado para esse grupo.

A etnia Tupinambá aparece na sequência, com 15.482 pessoas, e predomina em 52 municípios, com destaque para Ilhéus, Una e Buerarema. Já os PataxóHã-Hã-Hãe, com 7.033 indígenas, têm maior presença em cidades como Pau Brasil e Camacan. Os Kiriri, com 5.189 pessoas, concentram-se principalmente em Banzaê, enquanto os Tumbalalá, que somam 3.774 indígenas, têm presença marcante em Abaré e Curaçá. 

Em todos esses casos, a Bahia reúne a maior parcela da população nacional dessas etnias, chegando a concentrar mais de 90% em alguns grupos.

Salvador lidera em números, mas com menor identificação étnica

Apesar da forte presença no interior, é a capital que concentra o maior número absoluto de indígenas no estado. Salvador reúne 27.715 pessoas, sendo o quarto maior contingente entre os municípios brasileiros. Ainda assim, apenas 18,1% dos indígenas da capital declararam pertencimento a alguma etnia, a menor proporção entre as capitais. Entre os grupos mais presentes estão Pataxó, Tupinambá e Pataxó Hã-Hã-Hãe, além de Tupiniquim e Tupi-Guarani, que juntos representam a maior parte das autodeclarações.

Para o IBGE, os dados vão além do mapeamento populacional e ajudam a orientar políticas públicas. As informações, segundo o instituto, são essenciais para “apoiar a luta pelo respeito aos direitos, pela melhoria das condições de vida e pelo reconhecimento da contribuição” dos povos indígenas. O levantamento também reforça o papel da Bahia como um dos principais centros da diversidade indígena no país.

Fonte Tribuna da Bahia