Pesquisa identificou maior incidência entre usuários de medicamentos da classe GLP-1; especialistas reforçam que os remédios continuam sendo seguros

As canetas emagrecedoras e para tratamento do diabetes, como os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, podem estar associadas a um aumento do risco de infecções por herpes simples e herpes-zóster. O alerta foi divulgado com base em um estudo conduzido por pesquisadores de Taiwan que analisou dados de mais de 5 milhões de pacientes com diabetes nos Estados Unidos.

Segundo a publicação, os cientistas utilizaram prontuários eletrônicos de 64 organizações de saúde norte-americanas, abrangendo o período de 2015 a 2022. A pesquisa comparou pacientes que iniciaram tratamento com medicamentos da classe GLP-1 — como semaglutida, liraglutida e dulaglutida — com usuários de outras classes de remédios para diabetes, por meio de uma metodologia conhecida como “emulação de ensaio clínico-alvo”.

Ao comparar 95.190 pares de pacientes que utilizavam GLP-1 e inibidores de DPP-4, os pesquisadores observaram que os usuários das canetas tiveram risco 39% maior de desenvolver herpes simples e 29% maior de apresentar herpes-zóster. Já na comparação com pacientes tratados com inibidores de SGLT-2, o aumento foi de 28% para herpes simples e de 18% para herpes-zóster.

Os autores destacam, porém, que esses percentuais representam risco relativo, e não absoluto. Isso significa que a maior parte dos pacientes em tratamento com GLP-1 não desenvolverá herpes em decorrência do uso do medicamento, embora a associação estatística mereça atenção médica.

A análise também identificou grupos com maior vulnerabilidade. Pessoas entre 18 e 50 anos apresentaram um risco mais elevado de herpes-zóster, enquanto mulheres tiveram maior probabilidade de desenvolver herpes simples em comparação aos homens. Pacientes com diabetes mal controlado também registraram maior incidência da infecção.

Os pesquisadores ainda investigam os mecanismos que poderiam explicar essa associação. Uma das hipóteses é que os medicamentos alterem a resposta imunológica por meio da ativação de células reguladoras do sistema imune, favorecendo a reativação de vírus que permanecem latentes no organismo. Também são considerados fatores como a perda rápida de peso e possíveis deficiências nutricionais decorrentes da redução do apetite provocada pelos medicamentos.

Vacina pode reduzir o risco

Um dos principais achados do estudo foi que pacientes vacinados contra herpes-zóster antes de iniciar o tratamento com GLP-1 não apresentaram aumento significativo no risco da doença. Os autores reforçam que a vacinação pode ser uma importante estratégia preventiva, especialmente para pessoas com diabetes, embora atualmente o imunizante esteja disponível apenas na rede privada.

Apesar dos resultados, especialistas ressaltam que os medicamentos continuam sendo considerados seguros e eficazes para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. O estudo aponta apenas uma associação estatística, sem comprovar uma relação direta de causa e efeito, indicando a necessidade de novas pesquisas sobre o tema.

FONTE CORREIO DA BAHIA