Interpretação de texto influencia o desempenho em todas as áreas e na TRI
Um dos erros de muitos estudantes é acreditar que a habilidade de interpretação de textos só é válida para a prova de Linguagens, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). De acordo com a professora Sidinéia Azevedo, docente de Redação e Língua Portuguesa no Bernoulli Educação, a interpretação é um dos eixos estruturantes da prova de Linguagens, mas ecoa nas demais áreas de conhecimento.
“A gente sabe que a prova do Enem é estruturada a partir de textos. O exame adota uma perspectiva enunciativa discursiva da linguagem, o que significa que ler é um ato de construção de sentidos em que se considera quem fala, para quem fala e em qual contexto essa fala é trazida”, explica ela, que tem 43 anos de experiência em Educação e é especialista em Gramática aplicada.
Além disso, é preciso entender o contexto amplo do texto, uma vez que a prova rompe com a ideia tradicional de que textos são apenas palavras escritas. A matriz de referência do exame trabalha com múltiplos gêneros e permite que os estudantes transitem por diferentes linguagens.
“Os alunos precisam compreender as características desses gêneros da mesma forma que os textos não verbais e mistos, como analisar charges, tirinhas, infográficos, peças publicitárias, fotografias e reproduções. Um exemplo é que na prova de Linguagens tem ares”, acrescenta Sidinéia.
Um candidato ou candidata deve ser capaz de associar a linguagem não verbal à linguagem verbal, que, por sua vez, inclui expressões faciais, cores, diagramação e enquadramento. Assim, é possível captar aspectos como ironias e críticas sociais.
É possível ter questões de nível fácil, médio e elevado que abordem interpretação de texto como tema principal. A professora orienta que os alunos, antes de ler o texto da questão, leiam e analisem o enunciado de cada uma delas. Isso vai permitir identificar o assunto que está sendo cobrado.
“Existe uma hierarquia onde os assuntos são mais fáceis e difíceis. O aluno nunca deve responder a prova pela ordem cronológica, mas pela ordem pedagógica, ou seja, pelo grau de dificuldade”, reforça a professora.
Isso porque, para calcular as notas, o Enem adota a Teoria da Resposta ao Item (TRI), um método estatístico que não avalia apenas a quantidade de acertos, mas a coerência de um padrão de respostas. Assim, questões fáceis costumam receber maior pontuação do que casos em que o aluno erra perguntas mais fáceis e acerta as difíceis.
Uma dica é sempre treinar com questões que já foram aplicadas pelo Enem. “Tem como estudar com estratégias, para que eles se adaptem a essas estratégias de reconhecimento de palavras e de estruturas de enunciado. O aluno precisa ter um projeto de estudo e interpretação deve fazer parte do estudo diário. Indico que, pelo menos, duas a três questões de interpretação sejam praticadas pelos alunos diariamente”.
FONTE CORREIO DA BAHIA


