por Velho Barnabé
Meu povo de Caetité, Num tava reparando hoje cedinho, sentado na porta do rancho, que o pé de umbu tá começando a mudar de roupa. As folha véia tá caindo, amarelinha, devagarzinho, como quem pede licença pra ir embora. Num é que ela morreu, não. É que ela tá abrindo espaço. A natureza é sabida, minha gente. Ela nunca tira sem dar. Quando uma folha cai no chão do sertão, ela num tá dizendo adeus. Ela tá dizendo: “minha missão aqui acabou, agora vou virar chão pra outra nascer mais forte”. E quantas folha a gente segura na vida que já era pra ter deixado cair, né? Raiva guardada, mágoa antiga, aquele orgulho bobo, aquele medo de recomeçar. A gente fica agarrado numa folha seca, achando que sem ela a gente fica pelado, fica feio. Mas o pé de umbu me ensinou hoje: só fica bonito de novo quem tem coragem de ficar pelado um pouquinho no inverno, pra vestir folha nova na primavera. Então se hoje alguma coisa tá caindo da sua vida, não chore como quem perde. Agradeça como quem entende. As folhas que caem hoje é o adubo da alegria que vem amanhã. Que Deus abençoe sua semana e que você tenha a sabedoria do umbuzeiro: de deixar cair o que tem que cair, pra brotar o que tem que brotar.
Com fé no sertão, Velho Barnabé


