Conselho Tutelar resgatou a criança após denúncias de vizinhos; menino estava debilitado e com glicemia acima de 500

Um menino de 10 anos encontrado trancado em um quarto de apartamento, em Goiânia, pedia socorro pela janela e conversava com outras crianças que brincavam do lado de fora do prédio antes de ser resgatado, segundo relatos de moradores e do Conselho Tutelar.

A criança foi resgatada na quinta-feira (9), após denúncias de vizinhos. Segundo testemunhas, o menino costumava gritar por ajuda pela janela e recebia até alimentos de moradores, que perceberam que ele permanecia sozinho por longos períodos.

Vídeos registrados durante o resgate mostram conselheiros tutelares conversando com o garoto pela janela. Em um dos momentos, ele conta que a mãe saía para trabalhar durante a noite e o deixava trancado diariamente. Ao ser perguntado se havia almoçado, respondeu que tinha comido apenas “umas bolachinhas”. Em seguida, pediu água e utilizou uma sacola presa a lençóis para receber uma garrafa pela janela.

De acordo com a Polícia Militar, a mãe afirmou que deixava o filho trancado para impedir que ele tivesse acesso à comida, alegando que o menino é diabético e poderia passar mal caso comesse em excesso.

Segundo o Conselho Tutelar, a criança foi encontrada debilitada, com glicemia superior a 500, e precisou ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), onde permanece sem previsão de alta.

Ainda conforme a polícia, o apartamento estava em condições precárias, com lixo, alimentos estragados, roupas espalhadas e louça acumulada. No quarto onde o menino permanecia havia apenas um colchão no chão, alguns brinquedos e uma garrafa PET usada para fazer necessidades fisiológicas. Os investigadores também encontraram canetas de insulina ao alcance da criança.

A mãe foi presa em flagrante e deve responder pelo crime de abandono de incapaz. A identidade dela não foi divulgada. Após o resgate, o menino emocionou os conselheiros ao dizer: “Eu espero ter uma vida melhor”.

Segundo o Conselho Tutelar, a criança manifestou o desejo de morar com o pai, possibilidade que será analisada pelo Juizado da Infância e da Juventude.

Fonte Correio da Bahia