Embargo da União Europeia, apetite dos Estados Unidos e concorrência com outras proteínas devem influenciar o valor pago pelo consumidor brasileiro

A União Europeia anunciou nesta semana que vetará as importações da carne, entre outras proteínas brasileiras, a partir do próximo mês de setembro. A notícia, que pegou o governo brasileiro desprevenido, movimentou os ambientes diplomáticos, mas até agora teve pouco impacto no mercado. A arroba do boi gordo caiu de R$ 348,80 na última quarta-feira (dia 12), para R$ 344,60, na última sexta-feira (dia 15), de acordo com dados do Cepea. Mas a realidade, é que o preço da proteína já vinha registrando sucessivas quedas há um mês, após atingir R$ 367,05 em meados de abril

No intervalo de um ano, a arroba do boi gordo acumula uma alta de quase 12%, numa variação que se explica muito mais por conta do ciclo da pecuária – com os seus momentos de altas e baixas relacionados à quantidade de fêmeas disponíveis –, que pelos entraves geopolíticos. Até porque, na mesma semana em que os europeus resolveram encrencar com o uso de um antibiótico que, segundo especialistas, também é proibido aqui no Brasil, os Estados Unidos sinalizaram o interesse em amplir temporariamente as exportações de carnes aqui do Brasil.

Na terça-feira, o Wall Street Journal publicou que o governo do presidente Donald Trump pretende facilitar por 200 dias as importações de carnes bovinas para os Estados Unidos, o que deve beneficiar o Brasil, como maior produtor mundial. Por lá, os preços aumentaram em até 40% nos últimos cinco anos e, junto com a inflação provocada pela guerra no Oriente Médio, estão fazendo a popularidade de Trump derreter. Nestas circunstâncias, o norte-americano vai acabar optando por se indispor com os produtores locais e acenar para os seus eleitores, uma vez que as eleições de meio de mandato se aproximam.

Por aqui, o problema é outro. Apesar da alta de dois dígitos na cotação do boi gordo, o aumento para o consumidor final foi relativamente magro. Nos últimos doze meses, a alta foi de 5,48%, o que supera a inflação média, porém está muito abaixo da alta do boi gordo. Como o Brasil é grande produtor também de outras variedades de proteínas, se o preço final subir muito, o consumidor tem a opção de migrar para outras alternativas, o que costuma frear um processo de escalada nos preços.

as próximas semanas, o governo vai direcionar todas as suas energias para tentar garantir que Trump facilite mesmo o acesso da carne brasileira, além de se movimentar para que a União Europeia recue em relação à proibição, ou que amplie o prazo para que os produtores brasileiros se adequem às regras dela.

Para a sorte dos consumidores brasileiros, o aumento na inflação dos alimentos, provocado pela guerra no Oriente Médio, não chegou com tudo até os açougues, pelo menos até agora. Que assim permaneça, ou além de não ter visto o cumprimento da promessa de um certo presidente, de fazer o povo voltar a comer picanha melada na manteiga, ainda veremos muita gente tendo que tirar outros cortes do cardápio.

Fonte Correio da Bahia