Com largada dada no último domingo (9), saiba quais candidatos têm cadeira garantida nas TVs, quem é convidado facultativo e como a legislação eleitoral orienta o jogo político.

A temporada de debates para as Eleições de 2026 abriu oficialmente a fase mais decisiva da corrida ao Palácio do Planalto e aos governos estaduais desde o último domingo (9). Para além dos embates de ideias no ar, a montagem desses programas envolve um rigoroso xadrez jurídico moldado pelas diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pela Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições).

O funcionamento das regras, o cenário dos principais postulantes e os dias em que os candidatos se enfrentarão nas telas são organizados seguindo ritos e acordos pré estabelecidos.

A regra dos cinco parlamentares: quem entra por direito?

Nem todo mundo que se lança candidato ganha automaticamente tempo de tela nos encontros televisivos. A legislação eleitoral determina que os veículos de rádio e TV são obrigados a chamar apenas as candidaturas registradas por partidos, federações ou coligações que contem com, no mínimo, cinco representantes no Congresso Nacional.

A partir desse critério estabelecido pela Justiça Eleitoral, quatro nomes da corrida presidencial de 2026 têm presença garantida nas sabatinas:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT);

Flávio Bolsonaro (PL);

Ronaldo Caiado (PSD);

Augusto Cury (Avant

Já os postulantes cujas legendas não possuem a bancada mínima exigida dependem da vontade das próprias emissoras de mídia. É o caso de Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). Ambos, contudo, foram contemplados com o convite para o debate de abertura na Band, marcado para o dia 23 de agosto.

Geralmente as emissoras levam em conta pesquisas eleitorais feitas nos últimos meses e semanas e potencial de alcance dos candidatos.

A estratégia do suspense: o comparecimento é obrigatório?

A norma obriga os veículos a fazerem os convites aos nomes assegurados pela lei, mas não força os candidatos a comparecerem aos estúdios. A decisão final é estritamente política.

Neste ciclo de 2026, os dois concorrentes mais bem posicionados mantém mistério sobre o comparecimento às primeiras sabatinas:

Lula (PT): o atual presidente sinalizou que avaliará previamente o “nível do debate” para decidir se vai participar. A postura repete o movimento tático de 2006, ano em que Lula também tentava a reeleição e decidiu não ir ao confronto promovido pela TV Globo no primeiro turno. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o petista externou seu descontentamento:

“Caso o debate não sirva para a sociedade, para politizá-la, por que vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?”.

Flávio Bolsonaro (PL): segue a mesma linha de indefinição e ainda não confirmou presença nos encontros do mês de agosto. O senador informou a jornalistas nesta terça-feira (11) que seguirá a agenda do atual presidente Lula.

“Onde Lula estiver, nós estaremos com ele”, declarou Flávio.

Quem estipula o formato dos programas?

O modelo dos debates não é imposto arbitrariamente pelas redes de televisão. A dinâmica de blocos, tempos de resposta, réplica e direito de resposta é negociada em reuniões conjuntas entre as equipes dos veículos e os representantes dos partidos.

O regulamento final precisa ser homologado na Justiça Eleitoral. Caso não haja alinhamento entre os participantes, o evento pode ser fatiado em blocos com ao menos três candidatos em cada rodada.

Programação dos debates no 1º turno

Confira a agenda das transmissões presidenciais confirmadas até o momento:

23 de agosto, às 20h: transmissão conjunta da Band, TV Cultura, TV Gazeta, Jovem Pan e YouTube.

14 de setembro (horário a confirmar): Pool de veículos formado por CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV.

27 de setembro, às 21h: Record.

1º de outubro, às 21h20 (logo após o Jornal Nacional): rede Globo, GloboNews e G1.

FONTE CORREIO DA BAHIA

Quem estipula o formato dos programas?

O modelo dos debates não é imposto arbitrariamente pelas redes de televisão. A dinâmica de blocos, tempos de resposta, réplica e direito de resposta é negociada em reuniões conjuntas entre as equipes dos veículos e os representantes dos partidos.