Lamine Yamal pôde jogar apenas metade de uma etapa, pouco para transformar o controle da Fúria em vantagem no placar

Quem foi ao moderníssimo estádio de Atlanta na tarde desta segunda-feira certamente se preparou para testemunhar uma grande atuação da talentosa Espanha. Mas saiu da Arena exaltando o goleiro Vozinha e os zagueiros de Cabo Verde. Não que o time europeu tenha tido grande atuação, longe disso, mas o trio citado foi determinante para que a seleção africana fizesse história.

Cabo Verde defendeu de forma muito determinada e inteligente. Pouco assustou a Espanha em contragolpes e contou com um adversário bastante letárgico nas ações ofensivas, mas é impossível diminuir os méritos da estreante em Copas. Diney Borges e Roberto ”Pico” Lopes foram gigantes protegendo a área. Vozinha esbanjou segurança na meta cabo-verdiana.

Escalações

Luis de la Fuente ainda não pôde escalar Lamine Yamal e Nico Williams desde o início. Ferrán Torres foi o ponta-direita e Gavi partiu da ponta-esquerda para o meio. Pedro Leitão, o Bubista, técnico cabo-verdiano, montou um time bem parecido com o que foi base nas Eliminatórias. O esquema foi o 4-1-4-1.

O jogo

Ter paciência para achar espaços contra uma retranca. A exigência mais esperada da partida não demorou a se apresentar para a Espanha. Colocando todos os jogadores em um espaço máximo de 30 metros, bem perto da própria área, Cabo Verde mostrou-se aplicado para impedir a criação adversária. E conseguiu passar a primeira metade da 1ª etapa ilesa, sem jogadas de risco.

Jamiro Montero fechava o centro junto aos volantes Kevin Pina e Laros Duarte. Jovane Cabral e Ryan Mendes dobravam a marcação com os laterais. Vigiavam com afinco os avanços de Llorente e Cucurella. Esteve exatamente na participação dos laterais a chave para a Fúria começar a ser mais produtiva, principalmente nas incursões de Cucurella, que tinha o corrredor aberto para apoiar.

Llorente chegou a buscar algumas combinações com Ferrán Torres pela direita, atacou o espaço entre quarto-zagueiro e lateral-esquerdo de Cabo Verde, mas o início de jogo do camisa 7 foi impreciso. Já na parte final da 1ª etapa, os espanhois aceleraram um pouco a circulação de bola. Tiveram Pedri e Rodri mais ativos nas proximidades da área, e as jogadas começaram a sair.

Cucurella em projeção para a linha de fundo ou para a área era o alvo para terminar os lances. E assim a Espanha chegou muito perto de marcar. Ferran Torres acertou a trave e depois obrigou Vozinha a fazer boa defesa. O goleiro de 40 anos pegou ainda cabeçadas certeiras de Oyarzabal e Laporte. Esta última, digna de pôr no ”DVD”’.

Cabo Verde chegou a ter algum conforto para trocar passes até os 30 minutos, período em que os europeus imprimiram um ritmo sonolento na sua atuação. Não conseguiu, porém, finalizar com perigo, apesar de algumas tentativas de passes em profundidade e de ter encaixado duas transições rápidas. Laporte e Cubarsí mostraram-se muito atentos. Cucurella esbanjou segurança defensiva.

No início do 2º tempo, Fabian Ruiz, discreto até então, conseguiu aparecer com algo pouco utilizado pela Fúria antes do intervalo, os chutes de fora da área. Faltou precisão, mas ao menos era um acréscimo no repertório da equipe, que já contava com pressões pós-perdas mais intensas também. Cabo Verde teve problemas para lidar com isso. Ficou entrincheirado no campo de defesa.

Bubista fez três trocas para renovar o fôlego de sua equipe aos 15 minutos. Livramento, Jovane Cabral e Laros Duarte deram lugar a Nuno Costa, Willy Semedo e Deroy Duarte. Apesar de seguir rondando a área e arriscando mais finalizações de média distância, a Espanha repetia as oscilações de ritmo de boa parte da 1ª etapa. Voltou a transitar de forma lenta e sem inspiração.

Logo depois da parada para hidratação, Luis de la Fuente colocou Lamine Yamal e Merino. Gavi e Fabian Ruiz saíram. O time passou a ter mais capacidade de drible e agressividade pela direita e ganhou um meio-campista com presença efetiva na área. Ferrán Torres foi para a esquerda.

No primeiro ataque do time com Lamine em campo, Merino concluiu uma jogada iniciada por ele. Vozinha fez a defesa. Como Sidny Cabral já tinha cartão amarelo, Bubista sacou seu lateral-esquerdo titular para botar João Paulo, o novo marcador de Yamal. João Paulo deu excelente resposta. Logo depois queimou a última substituição. Telmo Arcanjo entrou no lugar de Jamiro Monteiro.

O apagado Ferrán Torres foi o terceiro sacado na Fúria. Dani Olmo entrou. De la Fuente demorou a fazer essa mexida. Nico Williams foi a última troca, já depois dos 40 minutos. Rodri saiu. Merino e Pedri passaram a ser os volantes. O time tentou pressionar, mas voltou a esbarrar nos méritos defensivos adversários, além da própria falta de contundência. Um desfecho decepcionante!

O zagueiro Diney Borges ainda teve a possibilidade de marcar o gol da vitória em escanteio cobrado pela direita, mas cabeceou em cima de Unai Simón. Seria um término sensacional para quem foi tão importante na parte defensiva de sua equipe.

Fonte Ge